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Fórum debate potencial das terras raras e novas tecnologias em Roraima

20 de setembro de 2026 às 13:35h

O 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima reúne nesta sexta-feira (18), no Plenarinho da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), pesquisadores, especialistas, instituições de ensino e representantes do poder público para discutir o potencial mineral do Estado, novas tecnologias e possibilidades de desenvolvimento a partir da pesquisa e do beneficiamento dos recursos minerais.

O proprietário e pesquisador do Complexo Mineral Barreira, Lucergio Barreira, destacou durante a abertura que os estudos desenvolvidos na área, localizada em Caracaraí, representam uma nova etapa para a pesquisa mineral em Roraima. O trabalho é realizado em parceria com instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Lucérgio Barreira é o proprietário e pesquisador do Complexo Barreira (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

“Isso será um marco para Roraima. É o primeiro projeto, a primeira pesquisa de terras raras aqui no Estado. É um projeto que começou há alguns anos, com muito sacrifício, mas que está avançando. Eu sempre defendi a mineração legal no Estado de Roraima”, afirmou.

As pesquisas realizadas no Complexo Barreira buscam identificar e estudar a ocorrência de terras raras e outros minerais estratégicos, além de desenvolver tecnologias para a extração e o beneficiamento desses materiais. O trabalho também envolve estudos relacionados à aplicação de nanotecnologia nos processos de separação dos elementos.

Diretor do Instituto de Geociências da UFRR, professor Vladimir Souza (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Para o diretor do Instituto de Geociências da UFRR, professor Vladimir Souza, a pesquisa é o primeiro passo para ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral do Estado.

“Tudo começa com a pesquisa, começa lá na universidade. A pesquisa proporciona desenvolvimento e a descoberta de riqueza. Por isso ela é tão importante”, reforçou.

O Governo de Roraima apoia os estudos desenvolvidos no Complexo Mineral Barreira. A Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) já concedeu dez licenças especiais para pesquisa mineral que abrangem todo o complexo.

Segundo o presidente da Femarh, Wagner Severo, o acompanhamento das pesquisas deve considerar as diferentes etapas do processo e uma eventual exploração mineral sustentável.

“Será fundamental o resultado dessas pesquisas para que possamos atingir os próximos resultados que essa pesquisa pode trazer para o futuro de Roraima a partir da sua exploração. Os minerais de terras raras são estratégicos para o Brasil e, acima de tudo, de suma importância para o desenvolvimento regional do nosso Estado”, destacou.

Nova matriz econômica

Durante a abertura do fórum, o governador Soldado Sampaio destacou que o avanço das pesquisas pode contribuir para a construção de uma nova matriz econômica para Roraima. Ele defendeu que uma eventual exploração mineral esteja associada à geração de empregos, qualificação profissional, pesquisa e beneficiamento da matéria-prima dentro do próprio Estado.

“Essas riquezas têm que estar a serviço do povo de Roraima. Queremos não só a exploração, mas também o beneficiamento dessa matéria-prima aqui. Isso é tão importante quanto explorar, porque podemos gerar empregos, distribuir renda e criar, por meio das universidades e de institutos de pesquisa, um campo para capacitar nossa mão de obra para esse novo mercado”, afirmou.

O presidente da ALE-RR, deputado Jorge Everton, também ressaltou a participação das instituições de pesquisa e dos órgãos públicos no processo de conhecimento e avaliação dos recursos minerais.

“Nós temos recursos minerais para serem explorados de forma correta, com a mineração legal, com a utilização correta dos meios. E nós temos aqui especialistas que vão nos orientar e vão guiar o Estado ao desenvolvimento”, disse.

Terras raras e nanotecnologia

Professor da USP Henrique Eisi Toma (Foto: NIlzete Franco/FolhaBv)

A programação do primeiro dia contou ainda com a palestra do professor doutor Henrique Eisi Toma, do Instituto de Química da USP, que abordou a relação entre terras raras e nanotecnologia.

Especialista em nanotecnologia, Toma apresentou aplicações desses elementos em áreas como eletrônica, baterias, ímãs, sensores, medicina e outras tecnologias. Segundo ele, a discussão sobre terras raras precisa envolver não apenas a existência e a extração dos recursos minerais, mas também conhecimento científico, inovação e formação de profissionais.

“É uma oportunidade muito boa, como pessoa da academia, para trazer um pouquinho da academia para vocês. Eu vou falar de nanotecnologia nas terras raras. Isso agora é um binômio: terras raras sem nanotecnologia não existe, e nanotecnologia sem terras raras também não existe.”

Durante a apresentação, o pesquisador explicou pesquisas desenvolvidas em seu laboratório com nanopartículas e tecnologias voltadas à identificação, captura e separação de elementos. Ele também relatou como as argilas provenientes do Complexo Mineral Barreira passaram a ser utilizadas nos estudos da USP.

Segundo Toma, o objetivo é avaliar a aplicação de técnicas de nanotecnologia e hidrometalurgia magnética na separação das terras raras presentes nas amostras de Roraima. O pesquisador ressaltou que o trabalho ainda está em desenvolvimento.

A programação do fórum continuou no sábado (19), com uma visita ao Complexo Mineral Barreira, em Caracaraí. A atividade contarou com a participação de alunos, pesquisadores e autoridades, que conheceram a área relacionada às pesquisas sobre terras raras e outros minerais estratégicos.

Fonte: Folha BV – Por Dina Vieira